Minha mala de viagem para Bariloche

Minha bagagem para a viagem de Bariloche (ago. 2016) ficou assim:

Segundas pele:

Blusa segunda pele

1. A blusa vermelha não é boa. Ela não é tão quente e para piorar seu comprimento fica exatamente na cintura e no pulso. Ou seja, ela tem tendência a subir e com isso leva o suéter junto. Acabei usando ela mais para dormir.

2. A preta de gola alta é quentinha, protege bem e não sobe. O problema é que fica fedendo rapidamente.

3. A preta com máscara ninja é perfeita, na verdade só falta ter lugar para colocar o polegar. Ela é comprida no quadril e na manga, mas se tivesse furo para o polegar ficaria presa dentro da luva aconteça o que acontecesse. O capuz e a máscara funcionam muito bem e faz com que use menos gorro, mas quando usei só o capuz, sem a máscara, ela me deu dor de cabeça.

Furo para colocar o polegarEsse é o furo para colocar o polegar.

 

Regatas:

2-regatas

Não usei nenhum dia. Levei para usar por cima da segunda pele para esquentar um pouco mais o tronco e aparecer quando tirasse o suéter. Como em Bariloche as atividades são geralmente feita ao ar livre, não costumava tirar o suéter. Na verdade eu esqueci de usar e acho que não teria melhorado a sensação de frio que senti, pois foram mais localizadas no pé e nas pernas.

 

Suéteres:

Suéteres

1. O marrom é de acrílico e por isso não é tão quente, mas tem a melhor modelagem dos três, por ser bem longo no quadril, na manga e na gola.

2. O branco de cashmere é quente, mas deveria ser mais grosso para ser mais quente. Sua medida é exatamente na cintura e no pulso, por isso, subia com facilidade dependendo da segunda pele que usava. A gola alta tem boa medida, mas não dá para usar como máscara.

3. O azul levei mais por segurança e foi bom levar. Nos dias mais frios sai com ele por baixo do suéter branco. Mas ele não tem gola alta e é fino demais, apesar de ser de lã.

 

Casacos:

Casacos

Deveria ter confiado mais nos meus casacos, pois fiquei com medo de que eles não suportassem.

1. A parca roxa que eu achava que não era tão impermeável assim funcionou bem na chuva e na neve. Até porque não foi nada torrencial como as chuvas tropicais do Rio. Ela tem um bom comprimento e o capuz ajuda bastante.

2. O casaco de pluma é incrível! Ele é bem quente, tanto que geralmente quando usava o capuz dele eu não usava gorro. O lado ruim é que ele não é corta vento. Mas pode se usar uma capinha fina corta vento por cima dele. Outra coisa é que ele solta pena. Eu achei isso bem estranho porque significa que com o tempo ele vai perder sua capacidade de esquentar. O que não é bom.

Observação: com meu conhecimento de hoje, eu teria comprado um casaco de esqui, que são quentes (tem forro com fleece), impermeáveis e com tecnologia corta vento. Apesar de serem um trambolho.

 

Acessórios de cabeça e pescoço:

Acessórios de inverno

1. O meu super cachecol funcionou bem até quando achei que não funcionaria. É umas das minhas peças de frio prediletas.

2. O gorro da Cintia é muito bom e até procurei um assim para comprar, mas não achei. Ele é grosso (tem duas camadas de tecido), sem buraco (os de tricô são grossos, mas tem os buracos da trama, por onde entra vento) e cabe meu cabelo todo dentro. Isso as vezes ajuda muito porque ficar administrando cabelo, cachecol, gola alta… tudo isso no pescoço fica muita informação.

Observação: tem um “cachecóis circular” de tecido fino, que eu acho que funcionam bem como máscara contra o vento. Melhor que os feito de lã ou fleece porque quando cobrimos a boca e nariz respiramos por esse tecido, que por ser fino facilita a passagem do ar e é mais fácil lavar e secar, por que nossa respiração é úmida.

 

Luvas:

Luvas

1. A luva de couro foi a que eu mais usei. Ela não é tão quente, mas nada que colocar a mão no bolso não resolva. Foi boa por ser corta vento e fácil de limpar quando sujava.

2. A luva touch (cinza) é bem frágil, mas foi ótima por servir muito bem como segunda pele. Ela não é tão quente (tinha que ficar com a mão no bolso) e suja facilmente.

3. A luva de esqui eu só usei nos dias de esqui e foi super quentinha. Não senti frio nas mãos usando ela.

4. Não usei a luva de tricô azul porque todos os dias estavam ventando bastante e sabia que entraria vento nas mãos.

 

Legging térmica e meia calça:

Legging

1. A cinza e a marrom são iguais. São boas, mas não são perfeitas. Para frio mediano elas funcionam bem, mas para muito frio elas deixam a desejar.

2. A preta parecer ser mais quente, mas usei em dias que me expus menos ao frio. Por isso, ainda não sei opinar bem.

3. A preta de tricô eu não usei, porque só uso em dias mais frios por cima das outras legging, mas nos dias mais frios eu sai com a calça de esqui que está justa na cintura e não dava para eu usar duas leggings.

Meia-calça

4. Não usei a meia calça (fio 80). Deveria ter usado nos dias que fui esquiar, mas acabei esquecendo.

 

Calças:

Calças

1. A azul se mostrou pouco quente. Apesar de ser forrada ela não esquenta quase nada.

2. A calça de esqui é super-hiper-impermeável, mas senti frio usando ela (com um legging por baixo). E como ela está bem justa na cintura, se usasse outra legging a calça não fecharia. A cor não ajuda em nada por sujar muito. Só usei para ir esquiar mesmo.

 

Meias:

Meias

1. As meias soquetes ajudam a deixar o pé quentinho. Essas para esportes são boas porque são feitas para absorver bem o suor e o pé não fica molhado.

2. A meia uruguaia (azul e amarelo) é quente, mas nem tanto. Para os dias mais frios ela não era suficiente.

3. A meia de lã até o joelho foi uma ótima compra por ser bem quentinha. Mas no Cerro Catedral ela não foi suficiente.

4. A palmilha de lã foi uma decepção. No inicio não consegui usar a palminha com as duas meias, porque a palmilha ocupava muito espaço dentro do tênis. Depois em um dos pés a palmilha começou a me incomodar porque ela saia do lugar. Por fim, no dia do Cerro Catedral eu fui com um pé sem palmilha (por causa do incomodo) e outro com palmilha e não senti diferença de frio nos pés. Lá em cima eu ainda tentei ver se tinha diferença e nada. Acho que sapatos forrados funcionam por causa do conjunto da obra.

 

Sapato:

Bota

1. Minha botina foi guerreira. Aguentou frio, chuva e neve muito bem. Só entrou um pouco de água no dia de Villa la Angunturia porque uma hora que estava na praia pisei em um parte que a areia estava alagadiça e mesmo assim não foi nada muito problemático. Senti frio nos pés, mas para um sapato que não é forrado ela foi muito bem.

2. Além disso, levei meu chinelo, que usei para andar no quarto e no albergue.

 

Roupa de dormir:

Roupa de dormir

Usei muito a legging e foi muito útil, assim como a minha meia preta de fleece horrorosa, mas confortável e quente. Porém, o aquecimento dos quartos era ruim e o único dia que usei a camiseta senti frio, por isso passei a dormir com a segunda pele vermelha.

 

Bolsas:

Bolsas

1. A minha mochila de 20 litros é bem espaçosa e leve. As correias na cintura e no busto são realmente muito boas. A capa de mochila foi muito boa e importante em situação de chuva e neve.

2. Minha ecobag (não está na foto) esteve sempre comigo. Acabava separando a mochila para papéis e comida (água, barra de cereal e biscoito) e a bolsa para acessórios de frio. Assim quando precisava colocar ou tirar algo do corpo não precisava desabotoar as tirar, virar a mochila, tirar a capa e abrir a mochila. Era só abrir a ecobag que já estava na mão. Sem contar que em Bariloche os mercados não tem sacola de plástico, nem para comprar.

3. Levei uma bolsinha pequena para se por acaso precisa-se sair para ir ali pertinho. Não usei, mas como em outras ocasiões eu já usei e não tinha, agora se puder levar eu levo.

 

Cosméticos, farmacinha e acessórios de banho:

Cosméticos

Só não usei os hidratantes porque Bariloche não é tão seco quanto Buenos Aires, então o frio não diminuiu a grande oleosidade natural da minha pele. O restante são itens de higiene pessoal básica, protetores solar e alguns medicamentos. Acabei levando muito mais creme para pentear do que era necessário. Também levei pregadeira de cabelo e um elástico, mas não usei.

Sobre minha farmacinha de viagem, eu preciso incluir um antigripal, quando for para lugares frios. Por mais que eu não use esses remédios quando estou em casa, em viagem é outra situação. Nós precisamos melhorar rapidamente porque é muito ruim ficarmos gripados, sem conseguir dormir e com moleza durante uma viagem.

Toalha

A toalha de microfibra é muito boa. Bem absorvente, seca super rápido e ocupa pouco espaço. A desvantagem em relação a toalha de natação (em tubo) é se precisar colocá-la na bolsa após o uso – por exemplo, tomar banho antes do check out – ela estará molhada. Mas como nessa viagem eu fiquei o tempo todo em um mesmo lugar, ela foi perfeita. A vantagem em relação a toalha de natação (em tubo) é que ela ocupa menos espaço e pode ser guardada de várias formas (enrolada, dobrada, aberta) dependendo do espaço que sobra na mala.

 

Acessórios tecnológicos:

Acessórios tecnológico

Da próxima vez é bom levar isso em um saco de pano que não faz barulho. Levei no transparente por causa da vistoria da polícia federal no aeroporto, mas, como das outras vezes, não foi necessário tirar da mochila para passar no raio-x. O albergue tinha tomadas adaptadas para o padrão brasileiro e não precisei usar o adaptador de tomadas.

1. A máquina fotográfica e o cabo de dados são fundamentais nas viagens.

2. O carregador de bateria e a bateria extra (saco azul) foram muito úteis. Apesar de não ter um dia que eu tenha usado a bateria inteira, mas por ter uma extra não precisasse carregar a bateria todos os dias como ocorreu no Reino Unido.

3. O fone de ouvido foi ótimo para os dias que passei no albergue, assim podia ver vídeos e ouvi podcasts tranquilamente.

4. O netbook (com carregador) são excelentes. Posso descarregar a máquina fotográfica, postar no blog de forma confortável e ter coisas para fazer nas horas no aeroporto e nos dias de descanso no albergue.

5. Quase não usei o HD externo, mas é bom levar para ter mais opções do que fazer. Além de já fazer o backup das fotos.

6. O celular funcionou como despertador e calculadora. Além de mandar mensagem quando embarquei e desembarquei no Rio.

 

Outros:

Além disso, levei roupa íntima, um par de brinco, carteira, as minhas anotações para a viagem (incluindo telefones e endereços de emergência), bloco de notas e caneta.

 

 

Dia 12 – Volta

Para fechar os relatos diários dessa viagem…

Acordei às 7h, pois tinha que estar às 8h30 no ponto do ônibus para o aeroporto. Deixei a mala e a mochila prontas na noite anterior, além do check out feito. Nevou e choveu a noite todo, por isso, de manhã o chão estava com gelo e alguns jardins e carros estavam com neve. Mas felizmente não choveu quando estava indo pegar o ônibus. Tudo correu bem.

Bariloche, Hostel Achalay [16.08.16] - 02Último café da manhã da viagem.

Bariloche, ônibus [16.08.16] - 01Aviso na janela do ônibus.

Bariloche, aeroporto [16.08.16] - 04Minhas pegadas no aeroporto.

Chegando no aeroporto nevava um pouco e o cara do guichê da Aerolineas implicou com a minha mala. Disse que podia levar apenas uma bolsa no avião, ou seja, a mala ou a mochila. Tive que despachar a mala, o que me deixou irritada, e é claro que depois vi várias pessoas com mala, mochila e saco de compra dentro do avião.

Outra coisa que contribuiu com a irritação matinal foi o fato do aeroporto de Bariloche ser tão pequeno que eles só chamam as pessoas para a sala de embarque quando a aeronave pousa para não superlotar o embarque. Como isso significava passar no raio-x apenas 30 minutos antes do voo eu fiquei ansiosa e acabei passando um pouco antes, mesmo sem eles chamarem. Para piorar esse primeiro voo do dia, eu comprei a passagem na janela, mas chegando lá era aquela janela, que não tem janela, é só lataria. Pelo menos fiquei na fileira sozinha e pude me espalhar a vontade.

Estava quente em Buenos Aires – uns 19ºC – e desta vez o transfer entre os aeroportos foi mais nostálgico, que na ida. Isso porque o ônibus da Tienda Manuel Leon saiu do Aeroparque e parou no terminal Retiro, antes de seguir para o Ezeiza. Em 2008, na minha primeira estada em Buenos Aires, eu peguei esse mesmo ônibus em Retiro para o Ezeiza. Ele fica parado próximo a uma praça, onde passei algumas horas em 2008. No Ezeiza foi tudo tranquilo, como já estava com o cartão de embarque, nem passei para o check in e voei com minha mala. O avião decolou estava anoitecendo na cidade.

Buenos Aires, Retiro [16.08.16] - 02Praça em Retiro.

Buenos Aires, Ezeiza [16.08.16] - 01Antes da decolagem.

Ao chegar no Rio, foi um porre eu querer ir logo embora, porque quando a gente chega quer chegar logo em casa, e ter que ficar dando voltas no aeroporto imenso. Demorei uns 5 minutos do desembarque até a migração. Isso porque estava tudo vazio. A agente da migração perguntou se eu queria o carimbo no passaporte da Rio 2016 e eu devo ter feito um cara péssima para ela. Cara de quem fugiu das Olimpíadas. Depois foi só pegar o táxi para enfim chegar em casa.

Dia 11 – Despedida de Bariloche

Hoje no meu último dia livre aqui em Bariloche, continuou chovendo direto. De manhã fiquei no albergue mesmo. Depois sai para almoçar e fazer minhas últimas compras para a viagem de volta.

A tarde abriu um solzinho e eu resolvi sair para dar uma última voltinha na cidade. Mas eis que o tempo resolveu passar por cada uma das situações que vivi aqui. Partiu de um solzinho, para o tempo nublado, depois começou a chover e eu resolvi voltar para o albergue. Quando cheguei aqui estava nevando.

Bariloche, Costaneira [15.08.16] - 02Costaneira

Bariloche, Centro Cívico [15.08.16] - 02

Bariloche, Centro Cívico [15.08.16] - 01Centro Cívico

Bariloche, neve [15.08.16] - 10Neve

Bariloche, ave [15.08.16] - 06Nesta hora estava nevando e as aves esperando passar para voltar a voar

Eu consegui fazer tudo que eu queria fazer nos dias de sol do inicio da viagem. Tinha outras coisas para fazer? Tinha, mas não me fez falta. Algumas dessas coisas, como fazer um bate e volta a San Martin, é melhor fazer no verão. Aliás, essa é uma região que vale a visita no verão. Além disso, esses últimos dias serviram para eu descansar um pouco.

Estou bem satisfeita com essa viagem.

Dia 10 – Repouso

Acordei e o tempo está o mesmo de ontem, choveu o dia inteiro. Além disso estou realmente gripada. Então resolvi ficar repousando no albergue, até porque as atividades que tem para fazer são todas as atividades são ao ar livre. Só sai para almoçar e comprar o lanchinho.

Dormi uma boa parte da tarde. E a noite, um casal brasileiro que estão aqui foram fazer um estrogonoff e me chamaram para comer com eles. Então ajudei eles a fazer a comida e depois ficamos conversando.

Dia 9 – Neve

Hoje acordei eu o tempo estava horrível. Chovia bastante. Resolvi ficar no albergue mesmo.

Ai estava na recepção quando olhei a janela e estava nevando, uma neve rala e com chuva. Continuei olhando e a neve foi ficando mais forte  e sem chuva. Ai resolvi dar um passeio na neve.

Foi bem legal! E engraçado que na porta dos hotéis tinham pessoas que desceram só para tirar umas fotos e voltar para o quentinho dos seus quartos.

 

Bariloche [14.08.16] - 02Jardim do albergue.

Bariloche [14.08.16] - 04Olhando o céu.

Bariloche [14.08.16] - 07A rua.

Aproveitei que estava na rua e fui almoçar. Depois passei no mercado para comprar o lanche da tarde e voltei para o quentinho da hospedagem. Assim passei o resto do dia na internet.

A noite vi que estou ficando gripada…

Dia 8 – Cerro Catedral

“Suas configurações de frio foram atualizadas.”

O maior frio que tinha passado na vida foi no Morro da Igreja, em Urubici, cidade vizinha a São Joaquim, quando o vento forte fazia a sensação térmica ir para -10ºC em pleno meio dia. Mas hoje eu sei que eu estava muito mal vestida naquela ocasião. Eu estava com , meia soquete básica, tênis normal, legging de acrílico (lã artificial), calça jeans, segunda pele básica, suéter de acrílico com gola alta, casaco de fleece espesso, luva e cachecol de acrílico.

Hoje, foi o oposto, estava bem agasalhada (podia estar melhor, mas estava bem agasalhada). Estava com meia soquete, meia térmica até o joelho, palmilha de lã, botina de trilha semi impermeável, legging térmica, calça de esqui, segunda pele de esqui com capuz e máscara, dois suéteres de lã, sendo um com gola alta, parca impermeável (devia ter ido com casaco de pluma), luva fina, luva de esqui, touca e cachecol de lã. Mesmo assim esse foi o maior frio da minha vida.

Mas contar a história do começo.

De manhã fiquei na dúvida se ia ou não no Cerro Catedral – a estação de esqui de Bariloche – por uma série de motivos: a previsão era de vento forte, a neve não está boa para aprender a esquiar e amanhã está previsto neve na estação. Mas como não precisa pagar para andar na base – só paga para entrar na área de esqui para iniciantes da base e para subir nos teleféricos – eu resolvi ir para ver como as coisas realmente estão.

Peguei o ônibus para estação e chegando lá me arrependi imediatamente de não ter ido com meu casaco de pluma, que é mais quente. O vento e o frio eram fortes, o chão estava cheio de gelo. Hoje fez de 2 a 5ºC na base, mas a sensação térmica com certeza era bem menor que isso, ainda mais de manhã. Comecei a caminhar para tirar fotos da estação. Pensei também em ver como estão as aulas de esqui e depois ir embora correndo.

Cerro Catedral, base de manhã [13.08.16] - 05

Ao olhar a área de iniciante eu vi que tinha mais gente que neve. Além disso, eu não senti a menor vontade de esquiar. Na verdade, nunca fui fã de esqui alpino e acho muito perigoso, mas as pessoas que esquiam falam tão empolgadas que até estava me empolgando de verdade. Ai quando olhei aquelas pessoas todas lutando por um lugar na rala neve e me desanimei completamente.

Cerro Catedral, base de manhã [13.08.16] - 04

Porém,  com a caminhada pela base do cerro meu corpo foi aquecendo, a sensação de frio diminui muito e resolvi comprar um passe peatón (pedestre) para poder subir no teleférico sem precisar fazer nenhuma atividade. Mas de qualquer forma comprei o passe peatón no qual eu poderia fazer a caminhada com raquetes de neve.

Cerro Catedral, Amancay, subida [13.08.16] - 06Subida em um teleférico fechado com bela vista.

Chegando lá, estava nevando e rapidamente vi toda a área para os pedestres – exceto o restaurante. A caminha por uma trilha no meio da floresta com raquetes de neve – que é um protetor para os calçados que facilita a pisada – é feita com um guia e demoraria cerca de uma hora para começar. Sentei em um banco na estação do teleférico e comi um sanduíche que levei de casa. Ai começou a bater um desespero, meu corpo voltou a esfriar e achei que meu pé ia congelar de uma forma que nunca pensei antes, mexia os dedos o quando podia para aquece-los. Lá no alto da montanha fez -3ºC hoje, porém mais uma vez a sensação térmica era bem menor que isso. Achei que não conseguiria fazer a caminhada, apesar de saber que ao fazer atividade eu me esquentaria. Fui para o restaurante, que é quentinho, e para ficar lá pedi a coisa, que me aqueceria, mais barata que eles tinham. Assim comprei a média mais cara da minha vida – AR$45, ou seja, R$12 por uma xícara de café com leite. Um assalto! Me aqueci e depois descobri que tinha uma área que dava para os banheiros que é quente e não precisaria comprar nada. Anotando mentalmente para da próxima vez procurar por banheiros.

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 04

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 03Amancay.

 

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 18Lago Gutierrez e montanhas.

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 16Alguém levou seu cãozinho para se divertir na neve.

Assim passou um hora e fui para a caminha, que com certeza me divertiu tanto quanto (ou mais) do que se fosse aprender a esquiar. O vento as vezes batia forte, o guia falou que está chegando uma frente fria do Chile, mas não senti frio até porque estava prestando atenção na caminhada. Tive que aprender como descer, subir e andar de lado quando está indo reto na encosta nevada. A vista também é bem bonita. No meio da caminhada, que dura 1h15, paramos protegidos por uma pedra, tiramos fotos e conversamos um pouco enquanto o guia nos deu chocolate e café quente para aquecer. Depois voltamos felizes.

Cerro Catedral, caminhada com raquete [13.08.16] - 03O pequeno grupo de caminhada ainda tinha eu e o guia.

Cerro Catedral, caminhada com raquete [13.08.16] - 06Na esquerda, o lago Nahuel Huapi. No centro, a base do cerro Catedral e outras montanhas, incluindo o cerro Otto, onde fiz esqui nórdico. Na direita, o lago Gutierrez.

Cerro Catedral, caminhada com raquete [13.08.16] - 15Piedra del Cóndor, que está a 1800m do nível do mar, e o lago Nahuel Huapi.

Cerro Catedral, caminhada com raquete [13.08.16] - 17A floresta seca e nevada, onde fiz a caminhada.

Cerro Catedral, caminhada com raquete [13.08.16] - 21

Cerro Catedral, Google [13.08.16] - 02Na caminhada vimos esse rapaz e o guia disse que ele trabalha para o Google e que este treco nas costa dele é um grupo de 15 câmera que estão mapeando as trilhas e pistas da estação para o Google Maps.

Depois da caminhada voltei a andar na área para pedestre de Amancay e até subi em um morrinho, onde algumas pessoas estavam brincando de esquibunda. Depois fui para o deck do restaurante olhar a pista de esqui. Mas logo desci e acabou minha aventura ao lugar mais frio que fui na vida.

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 22

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 28

Cerro Catedral, Amancay [13.08.16] - 34

Cerro Catedral, Amancay, descida [13.08.16] - 07A descida perto da base com pouca neve.

Dia 7 – Villa la Angostura

Hoje acordei com as pernas, braços e costas doendo, provavelmente por causa do esqui de ontem. Por isso, resolvi fazer uma atividade mais leve. Fiz um bate e volta a cidade vizinha chamada Villa la Angostura, que está a 82km de Bariloche na província de Neuquén (Bariloche está na província de Rio Negro).

IMG_0870A Patagônia é conhecida por ter uma região semiárida (normalmente chamada de deserto). Hoje pude ver um pouco essa parte.

IMG_0881Bariloche vista do outro lado do lago.

IMG_0889A estrada é muito bonita.

A cidade é muito pequena. Tem 11 mil habitantes e seu centro é chamado de El Cruce (A Encrusilhanda) porque foi formada no ponto no qual convergem as estradas para Bariloche, para San Martín de los Andes e para o Puerto Angostura. Ali criou-se um pequeno comércio e a cidade se mantém assim.

Villa la Angostura, El Cruce [12.08.16] - 04El Cruce em si.

IMG_0997A cidade quase toda.

Chegando lá fui andando até o Puerto Angostura, que fica a 3km do Cruce. Na região do porto – que nada mais é do que um píer – tem um pequeno comércio, a Baía Mansa, a Baía Brava e a entrada da península Quetrihué, onde está o Bosque Arrayanes, que eu visitei no passeio de barco. Dá para chegar no bosque a pé, mas são 12km de distância.

Villa la Angostura, estrada para o porto [12.08.16] - 11

Villa la Angostura, estrada para o porto [12.08.16] - 13Estrada para o porto.

IMG_0922O comércio do porto.

IMG_0935O porto da baía Mansa.

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IMG_0947Baía Mansa.

Villa la Angostura, porto, baía brava [12.08.16] - 02

Villa la Angostura, porto, baía brava [12.08.16] - 12

IMG_0971Baía Brava.

No caminho para a região do porto eu passei por duas obras do arquiteto Alejandro Bustillo, que idealizou muitas da construções do Parque Nacional Nahuel Huapi e outros prédios históricos da década de 1930, quando essa região começou a ser colonizada, como a Catedral e a Capilla San Eduardo.

Uma é a primeira escola de Villa la Angostura, que é um prédio lindinho e tem uma “carranca” lindíssima e completamente relacionada a utilidade do prédio.

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Villa la Angostura, antiga escola [12.08.16] - 04

A outra é a Capilla Nuestra Señora Virgen de la Asunción.

Villa la Angostura, Capilla NS Virgen de la Asunción [12.08.16] - 06

Depois voltei ao Cruce para andar no comércio, que tem vários centros comerciais bonitinhos, mas várias lojas estavam fechadas para o longo almoço deles. Apesar de ser sempre a mesma coisa de Bariloche, loja de roupa de frio, aluguel de equipamentos de esqui, chocolate e souvenier. Ai começou a chover e eu resolvi voltar para Bariloche.

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Na chegada na cidade estava chovendo e ventando, passei um friozinho até colocar o gorro e o cachecol. Cheguei ao final do dia ainda estando dolorida.

Dia 6 – Esqui Nórdico

O esqui que temos em mente é apenas um das várias modalidades do esporte. Ele é o esqui alpino, criando nos Alpes em terrenos acidentados. Mas a origem do esporte foi na Noruega, em terrenos mais planos, onde você vai caminhando. Este é o esqui nórdico, que é mais barato, fácil e menos perigoso. Eu decidi fazer o esqui nórdico para testar como eu me saía no esporte.

Então eu peguei um transfer até o Centro de Ski Nórdico, que fica no cerro (monte) Otto e não tem transporte público, mas estava com medo porque tem faltado neve nas estações de esqui e centros de lazer na neve. O meu medo foi embora já na subida do morro porque a estrada estava assim:

IMG_0829Não dá para ver na foto, mas estava nevando.

Quando cheguei lá precisava esperar alguns minutos para começar a aula e fiquei do lado de fora da Confeitaria/Refúgio para tirar umas fotos e curtir o meu primeiro contato com a neve.

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Depois fomos pegar os equipamentos (bota de esqui, o esqui em si e os bastões) e íamos para aula, mas começou a nevar com vento forte, como a pista fica na beira de um abismo tivemos que esperar um pouco até o vento passar.

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Já era quase final da manhã quando conseguimos começar a aula.

IMG_0851Meia soquete, meia térmica com lã até o joelho e bota de esqui. Legging e calça de esqui. Segunda pele ninja, 2 suéteres e parca com capuz. Luva touch e luva de esqui. Não usei gorro e cachecol.  No início senti um pouco de frio na perna, mas nada demais. No resto do corpo não senti frio.

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Depois da aula fomos almoçar e depois eu voltei para pista para praticar um pouco mais, mais quase ninguém voltou – alguns foram embora e outros foram fazer outras atividades que tem no Centro de Ski Nórdico, como passeios com quadriciclos.

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A pista é lindíssima, mas a tarde não nevou e por isso a neve já testava derretendo, em partes formou uma lama e em outras ela derreteu e depois congelou (não estava mais fofa).

Treinei por mais algumas horas, até a hora de pegar o transfer de volta.

Adorei o passeio, mas achava que sentiria algo diferente com relação a neve e foi super normal.

Dia 5 – Descanso

Como estava exausta e dolorida me dei esse dia de descanso, afinal estou de férias não preciso fazer uma maratona se meu corpo não aguenta.

Acordei e fui atualizar o blog, pois não tinha conseguido postar ontem a noite e tinha que colocar as fotos do passeio de barco. Fiquei a manhã toda fazendo isso. Depois sai para almoçar e andar um pouco pela cidade. Fiquei um tempo sentada na praça da Catedral olhando as pessoas e os cachorros – como tem cachorro abandonado nessa cidade, é bizarro!

Bariloche, Catedral, praça [10.08.16] - 01

Bariloche, Catedral, praça [10.08.16] - 05

 

Depois fui resolver algumas coisas mundanas como ir ao mercado e reservar o passeio de amanhã. Voltei cedo para o albergue e fiquei aqui usando o computar.

Dia 4 – Cerro Campanário & Parque Llao Llao (Circuito Chico)

Hoje foi um dia estranho. Logo cedo eu fui ao Cerro campanário, mirante conhecido por ser a vista mais bonita da cidade. Para subir usamos um teleférico e depois tem uma série de mirantes.

Bariloche, Campanário [09.08.16] - 15

Depois peguei o ônibus até o mesmo porto que fui ontem, mas dessa vez eu segui  a estrada reta e fui ao Parque Llao Llao. Eu não sabia se ia fazer alguma trilha porque afinal eu estou sozinha, mas fui ver como era o parque. Chegando lá vi que a trilha é bem marcada e sinalizada, além disso um casal estava começando a fazer a trilha também. Por isso, eu fui “com eles” pela trilha que tinha uns 2,8km e passava pela margem do lago Moreno e por um pequeno bosque de arrayanes. Foi bem bonita.

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha arrayanes  [09.08.16] - 11

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha arrayanes  [09.08.16] - 17Bosque de Arrayanes

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha arrayanes  [09.08.16] - 43Lago Moreno

Depois eu pretendia voltar pelo asfalto, mas o casal falou comigo sobre as indicações para ir a uma pequena trilha mais adiante que ia ao lago Escondido – onde tem um deque para você ficar ali relaxando por horas –, a praia dos troncos – cuja “areia” são pedras e pedaços de madeiras – e a baía Lopes. Ai eu me animei em seguir “com eles”. A vista é linda!

Bariloche, Parque Llao Llao, entre trilha  [09.08.16] - 03

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha lago escondido  [09.08.16] - 05Vista do deque do lago Escondido.

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha praia dos troncos  [09.08.16] - 03

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha praia dos troncos  [09.08.16] - 07Praia do troncos.

Bariloche, Parque Llao Llao, trilha baía Lopez [09.08.16] - 01Baía Lopes fica em um fiorde chamado Brazo Tristeza.

Nas trilhas tem muitos casais passeando e passei por uma família e poucos grupos de amigos. Como a trilha era pertíssima do asfalto e o casal resolveu fazer um piquenique lá eu voltei ao asfalto sozinha e segui andando. Ai veio uma sucessão de escolhas “ruins” da minha parte. Eu poderia voltar para o porto (e pegar o ônibus 20 até o Centro) ou seguir a frente até um ponto que, segundo o mapa, passa um outro ônibus (o 10). Eu escolhi ir pegar o ônibus 10 e, assim ver novas paisagens. De fato a estrada continua linda e de com alguns resorts de lazer a beira, mas andei muito até  o ponto de ônibus, mau fotografava por causa do cansaço.

Bariloche, Parque Llao Llao, estrada do [09.08.16] - 03Mas a melhor parte [ironia] é que quando cheguei no ponto do ônibus às 16h descobri que o próximo ônibus número 10 só passaria às 18h e que eu tinha mais 8km pela frente até o ponto do ônibus 20. Ou seja, eu poderia ficar 2 horas no meio do nada sem nada para fazer ou andar por mais 2 horas até o ponto do 20 por um caminho conhecido como Circuito Chico –  um famoso tour de Bariloche. Claro que a minha escolha louca foi andar. O caminho passa por propriedades rurais e pequenas áreas urbanas com belas paisagens.

Bariloche, Circuito Chico [09.08.16] - 03

Bariloche, Circuito Chico [09.08.16] - 07

Bariloche, Circuito Chico, Praia do Lago Moreno [09.08.16] - 06

Bariloche, Circuito Chico, Praia do Lago Moreno [09.08.16] - 09

Vi belíssimas paisagens, mas cheguei exausta e com bolha no pé. Não recomendo fazer esse percurso de cerca de 20km a pé. Amanhã vou só descansar.

 

Observação: atualizei o post “Dia 3 – Passeio de barco pelo Nahuel Huapi” com as fotos.