Recife Antigo – parte 2

Lição número 1: nunca fale com estranhos.

Hoje no café da manhã estava falando com a atendente do hostel que ia ao Mercado São José e uma hospede carioca se intrometeu e se convidou para ir comigo. Eu já tinha falado que ia e não achei uma forma educada de dizer que não queria companhia. Falei de forma indireta, pois disse que gostava de andar sozinha, mas não teve jeito. Lá foi a carioca e seu marido gringo me atrasando. Ele reclamou de andar alguns quarteirões até o metrô, pelo menos foi o que entendi porque ele falava em alemão com ela, mesmo sabendo falar português. Depois quando chegamos ao Centro andamos por uma parte dos bairros de Santo Antônio e São José que são tipo o SAARA. Então o gringo queria parar para comprar coisas e se distraia e a mulher ficava brigando com ele. Ou seja, além de levar as tartaruguinhas para passear, ainda tinha essa situação horrível. Quando cheguei ao Mercado tratei de despachar os dois, pois tínhamos objetivos diferentes. A única coisa legal foi que conversamos sobre Brasil e falei de Maceió e a carioca teve a mesma impressão que tive de um lugar muito pobre e que não valoriza a cultura.

Superado esse percalço, o Mercado em si é uma grande estrutura de ferro com telha dividido em duas partes. Uma que é tipo Mercadão de Madureira com lojas de produtos descartáveis, couro, barro, palha, redes, rendas… e lojas de souvenires. A outra parte é um mercadão alimentício, principalmente de carnes e peixes. Pensei que acharia mais coisas legais e baratas lá, mas o que vi foi muito parecido com o que vi na Casa de Cultura e as vezes até o preço era igual.

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Depois segui pelo mega SAARA até o Pátio de São Pedro, que é a praça onde fica a Igreja de São Pedro e tem um casario em volta que funcionam alguns espaços culturais. Estes são: a filial do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), que nada mais é que uma pequena galeria de arte contemporânea onde estava uma pequena exposição de fotografia. O Memorial Chico Science, cantor que foi um dos fundadores do movimento manguebeat, e isso é o que eu sabia antes de ir ao memorial e este nada acrescentou a essa informação, nem uma música há para conhecer essa sonoridade . E por fim, o Memorial Luiz Gonzaga, que é muito bem estruturado e em um espaço pequeno consegue nós informar a linha de tempo da obra de Gonzagão e sua importância para música brasileira. O pátio também é uma área tradicional do carnaval e outras manifestações culturais.

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Segui para o Bairro da Boa Vista, pois queria ver o Mamam de verdade. Que decepção! O museu não expõe a obra de Aloísio Magalhães, pelo menos não estava expondo. Digo isso porque sei que tinha uma exposição dele em São Paulo e talvez por isso o museu estivesse desfalcado. Estava tendo uma mostra de vídeos e mais nada.

Depois voltei para ilha de Santo Antônio para ver o conjunto arquitetônico neoclássico da Praça da República, onde estão a sede do governo estadual – o Palácio do Campo das Princesas –, o Teatro de Santa Isabel e o Palácio da Justiça. Até a praça é bem bonita apesar de pequena. O teatro e a sede do governo tem visita guiada aos domingos de manhã, mas eu fiquei com medo de ir sozinha para essa parte da cidade no domingo. Um detalhe é que a praça está localizada onde Maurício de Nassau construiu seu palácio, destruído pelos portugueses.

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Busto de Nassau na entrada da praça.

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Palácio Campo das Princesas: antiga residência imperial na cidade.

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Palácio da Justiça.

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Céu azul…

Neste caminho cruzei as pontes de Recife sobre o rio Capibaribe duas vezes e em ambas tinha uma vista bem bonita.

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Vista da Ponte Duarte Coelho.

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Vista da Ponta Santa Isabel.

Sai da praça e voltei ao Marco Zero, pois ainda tinha museus que eu queria ver e não vi no domingo porque sabia que terça-feira é de graça. Uma observação é que essa parte central que não é de comércio popular é muito vazia durante a semana. Vi que tem muitos prédios públicos, mas poucas pessoas passando nas ruas. Agora entendi porque o rapaz do albergue falou que domingo é quando o Centro fica realmente cheio.

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Marco Zero terça-feira às 15h.

O primeiro museu que queria ir é o Cais do Sertão. Essa é a parte do antigo porto que está sendo revitalizada e os antigos armazéns estão sendo remodelados para abrigar espaços culturais como o Centro de Artesanato e esse que tem como objetivo retratar a vida no sertão. Ele parte da obra de Luis Gonzaga e outros “forrozeiros” para mostrar as representações do sertão na música e sua diversidade cultural. É um museu muito bonito de porte médio, ou seja, dá para ver em 1h30.

Na entrada tem reproduções de trajes de Luis Gonzaga, depois tem um cinema 180o, onde a cada 30 minutos é exibido um vídeo do diretor Marcelo Gomes, muito mais sensível e triste (pela pobreza das pessoas que vivem no sertão) do que o filme “Viajo porque preciso, Volto porque te amo” (codirigido por Marcelo). Depois tem um amplo espaço cheio de coisas que vão da “reprodução” de uma casa de pau a pique, peças de diversos trabalhos tradicionais até obras de Mestre Vitalino e a história dos “anos de ouro” do forró/bailão/etc nas décadas de 1940 e 50. No segundo andar tem uns vídeos de migrantes nordestinos, cabines de karaokê de músicas de Gonzagão e uma sala que meu pai amaria onde tem diversos instrumentos musicais tradicionais e é possível praticá-los com a ajuda de instrutor.

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Na entrada grafite e uma típica árvore seca.

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Amplo salão cortado pela representação do São Francisco.

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Fósseis de peixes que habitaram o sertão há 100 milhões de anos.

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Reprodução de um traje cangaceiro.

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Obras de Mestre Vitalino.

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“Reprodução” de uma casa. As pessoas ainda vivem assim? Não tem como não me entristecer.

O outro museu que queria ir é o Paço do Frevo, mas antes subi na Torre Malakoff. Construída no século XIX para ser entrada do Arsenal de Marinha, com o fim do arsenal transformou-se em observatório astronômico. Agora é um mirante, mas como não é muito alto só dá para ver os arredores. E ainda bem que não é muito alta porque não tem elevador e precisa subir uns 5 andares de escada não muito fácil.

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A esquerda a rua do Bom Jesus, onde tem a feira de domingo, e embaixo a praça do Arsenal, que domingo estava cheia de barracas de comida. Reparem na quantidade de pessoas na rua.

 

O Paço do Frevo é o museu do frevo obviamente. Na verdade é mais que um museu, é um espaço de documentação, ensino e apresentações de frevo. No térreo tem uma linha temporal que de tão detalhadas duvido que alguém leia tudo. Acho que deveria ter uma linha do tempo mais básica junto para facilitar quem só quer uma informação básica. No segundo andar fica um espaço de mostras temporárias onde estava tendo uma exposição sobre a relação do frevo com o bairro de São José e falava do inicio “criminoso” do carnaval e sua posterior popularização. O belo terceiro andar elaborado pela curadora do espaço Bia Lessa – vulgo a artista da exposição do Grande Sertão Veredas – tem uma pista de dança e no piso elevado expõe os estandartes das agremiações de frevo e nas paredes há frases e fotografias. É um espaço muito bonito.

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Entende porque não gosto de carnaval, samba, frevo…

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Adorei a primeira frase desse parágrafo da exposição sobre São José.

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Um dos vários recortes de jornais bizarros do início do século XX.

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O belo 3º andar do Paço do Frevo.

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“Quem inventou o frevo?” Os quadros luminosos são nome dos primeiros cantores e compositores de frevo.

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O teto feito desses bonequinhos que estão no roda-teto.

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Os estandartes. Achei essa composição meio fúnebre. Me lembrou caixões.

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A cafeteria do Paço do Frevo.

Ao sair do Paço já estava escurecendo e eu precisa arrumar muitas coisas para seguir viagem.

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Anoitecer no Recife Antigo com vista para o rio Beberibe e a Zona Norte. Vista do Paço do Frevo.

 

 

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7 ideias sobre “Recife Antigo – parte 2

  1. cintiadesa

    E confirmou-se o que eu imaginava de Recife: um lugar que fomenta a cultura. Pena que a história do Aloísio Magalhães não esteja tão bem representada…

    P.S.: adorei o levar as tartaruguinhas para passear ha ha ha gargalhei 😀

    Resposta
    1. N. Autor do post

      Com certeza há muito fomento a cultura em Recife. Realmente adorei a cidade.
      Não fique com ciúme, você sabe que você é a tartaruguinha que eu mais gosto de levar para passear, né?
      hehehe 😀

      Resposta
      1. cintiadesa

        ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha Fico feliz que eu seja a predileta de estimação rs rs rs

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