Belém: Ilha do Papagaio e Ilha do Combu

Hoje foi o dia de me jogar no rio. Não literalmente, claro!

Madruguei, neste caso literalmente, pois meu passeio guiado bem turistão me buscou às 4h30 no albergue. O objetivo era ir a Ilha do Papagaio, um lugar onde os papagaios vão dormir porque lá não tem o predador natural deles — a jiboia. O barco chega antes do amanhecer e fica ancorado esperando o raiar do sol, quando os papagaios acordam e saem da ilha para se alimentar em outros lugares. O objetivo era justamente ver essa revoada. Uma curiosidade que o guia falou é que quando os portugueses chegaram em Belém eles acharam que era uma revoada de patos e por isso em mapas antigos a ilha era nomeada como Ilha dos Patos. Após a vinda de biólogos para Belém é que classificaram os papagaios como espécie.

A Ilha do Maracujá, que fica em frente a Ilha do Papagaio, onde o sol nasce.

A Ilha do Papagaio após o nascer do sol.

Os papagaio pousados na ilha.

Tentei tirar fotos da revoada, mas com pouca luz e os bichos em movimento é quase impossível.

Depois o barco segue pelos furos do Maracujá e Benedito — furos são os canais naturais entre as ilhas — até contornar a Ilha Combu e voltamos a Belém. Neste caminho passamos por região de várzea (áreas alagáveis da floresta) com muitas palafitas de diversos estilos, plantações de açaí, ônibus-barcos e restaurantes a beira do rio Guamá, na parte próximo a Belém.
Apesar de associada a miséria, a região de palafitas tem luz elétrica, transporte público, escola, biblioteca… Me lembrou o Delta do Tigre, só que mais pobres. Ali não tem saúde, por exemplo.

Entrada do Furo do Maracujá.

Palafita em meio a plantação de açaí

Furo do Maracujá.
Furo do Benedito com Belém ao fundo.

Ônibus-barco no Furo do Benedito.

Para eles os furos são pequenos porque os rios tem essa proporção.

Voltei para o albergue, tomei café da manhã e tentei descansar um pouco, mas sou péssima para dormir sem ser a noite. Chegando a hora do almoço sai para comprar a passagem para a Ilha do Marajó e depois  fui para o bairro do Condor pegar um popó — como chamam os barcos de transporte dos moradores — e fui com o barulho do motor e cheiro de diesel até o Restaurante Chalé da Ilha, um dos vários restaurantes beira-rio do Combu, que é um distrito de Belém. O mais famoso dele é o Saldosa Maloca, mas já li que ele é bem turístico e no albergue me recomendaram este outro.
Para chegar ao restaurante é preciso além de navegar pelo rio Guamá, entrar em um furo conhecido como Rua Furo, onde além dos restaurantes há o Filha do Combu, uma palafita-loja que vende chocolate feito com o cacau plantado na própria ilha. O barco parou lá rapidamente e eu achei tudo muito caro. Não tinha nada a menos de R$10. Outra atração da Rua Furo são as obras do artista Sebá Tapajós. Um famoso grafiteiro da região, que pintou algumas palafinas nesse furo, mas a maioria deles está parcialmente escondido pela vegetação.

Posto de combustível naval em Belém.

A Rua Furo, onde fica o Chalé da Ilha.

O trabalho do Sebá Tapajós.

O Chalé da Ilha me lembrou o Sítio Alegre, ou seja, local onde as pessoas vão com a família para se passar o dia em contato com a natureza. A demora para a comida chegar também me lembrou o Sítio Alegre.


Chalé da Ilha.

Observação:
A marina de madrugada me lembrou a série Dexter, que tinha umas marinas esquisitas. A de hoje era bem escura e da rua só se vê um muro e um portão. Quando voltei descobri porque da escuridão, ela é coberta para proteger os barcos.

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8 ideias sobre “Belém: Ilha do Papagaio e Ilha do Combu

  1. Cintia

    Lindo nascer do dia! Realmente a lógica é semelhante ao Tigre… Já molhou a mão no rio? A água é gelada? Vi aquele pessoal com boias no restaurante e pensei que talvez os rios no Pará sejam mais quentes…

    Resposta
    1. N. Autor do post

      Já me disseram que a água é quente, mas nem pensei em molhar a mão.
      Pelo visto as pessoas daqui nem sabem o que é frio.
      O passeio foi ótimo! Obrigada por me dar força para fazer esse passeio.

      Resposta
      1. Cintia

        Eu já teria caído na água!!! Meu sonho é não saber o q é frio… Aqui andou chovendo e a temperatura baixou um pouco. Só dá vontade de ficar no sofá…

      2. N. Autor do post

        Mas eles reclamam de excesso de calor. Porque ficar suado e depender de ar condicionado o ano todo não é gostoso.
        😀

      3. N. Autor do post

        E aqui é difícil ficar sem o ar condicionado não só por causa do calor + umidade. Tem os mosquitos que entram até nos quartos climatizados. No Marajó tinha até tela na janela e tive que botar o ar em uma temperatura baixa e usar casaco para me proteger dos mosquitos. Pelo menos na época de chuva é bem bizarro.

  2. Renata

    Belas fotos! Já estão até te confundindo com fotógrafa profissional, rsrs. Interessante o “posto” de combustível, nem imaginava como as embarcações eram/são abastecidas.

    Resposta

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