Ilha do Marajó: Soure & volta a Belém

Ontem a noite choveu forte e depois ficou chuviscando até hoje de manhã. Ou seja, não ia dar praia. E fui  isso é sério. Tinha pensado em dar uma volta no centro de Soure e depois ir até a praia mais perto da cidade — Barra Velha — para tirar umas fotos.
Após o café da manhã fui ao centro, que fica a umas onze quadras da pousada que estou. O dia estava quente, mas nublado e a umidade alta, por isso, eu suava bastante e a sensação térmica não estava das mais agradáveis. Conforme ia chegando o centro de Soure as ruas ficam “asfaltadas” — entre aspas porque o asfalto é todo quebrado, cheio de crateras — e há um bom comércio de cidade do interior com mercados, armazéns, hortifrute, farmácias, lojas de roupas, cursinho preparatório… Na praça onde chegam os barcos de passageiros vindos de Salvaterra — cidade vizinha e de onde partem os barcos para Belém — tem pontos de táxi e um Banco do Brasil. Vi várias escolas públicas e pelo menos duas quadras de esporte privadas. A recepcionista da pousada me falou que tem hospital simples em Soure e vários postos de saúde, mas se for preciso um helicóptero leva o doente a Belém. Até que para a simplicidade do lugar a cidade é bem estruturada.
Em cerca de 1h30 eu dei uma volta na parte central de Soure, inclusive fui a uma olaria marajoara super tradicional de descendentes de índios — a Mbarayo — que inclusive mostram como fazem o processo com torno manual, retiram o pigmento de pedras com a serra de um animal que não me recordo, fixam o pigmento com chifre e desenham com o chifre e ferrão de arraia. É bem legal, só não filmei porque não sabia se ia comprar algo lá. Também fui no SOMA, um galpão com quiosques de artesanato e souvenir. Há ainda um curdume na cidade, mas é fora do centro e eu não tenho tanto interesse.

Praça principal, onde chegam os barcos de Salvaterra.

O entorno da praça.

A orla do porto de onde parte a balsa.
Uma curiosidade é que vi várias casas com placa “Vendemos chopp”. Achei estranho isso, mas vai que o povo lá é pinguço. Na volta vi pessoas vendendo chopp com caixa de isopor e percebi que tinha algo errado. Até que alguém comprou e pude ver que para eles chopp é sacolé/geladinho/dindin…
A tarde voltei para Belém.

O início da viagem de volta a Belém.

O mar, digo, o rio na metade do caminho.

Quando Belém se aproxima aparecem várias ilhas que pertencem ao município de Belém, algumas são APAs.

A Ilha de Cotijuba é um distrito de Belém e destino de fim de semana da população.




Belém se aproximando ao anoitecer.
Sobre o barco de/para Belém, apesar de ter lido muito sobre isso tem coisa que só a prática te ensina. Há quatro formas de fazer essa viagem. A primeira é de balsa/ferry para quem está de carro. A viagem dura cerca de 3 horas e meia de/para Icoaraci, distrito de Belém, a Camará, distrito de Salvaterra e é feita pela empresa Henvil. A segundo éo barco rápido que fazia a travessia Belém-Soure-Salvaterra em 2 horas e meia e era feita pela empresa Viação Ouro e Prata até janeiro, agora está suspenso não sabemos se vai voltar. A terceira é o catamarã, que aqui chamam de lancha, que faz a travessia Belém-Camará em 1 hora e meia e é da empresa Banav. A quarta é o que nos blogs de viagem chamam de barco lento, aqui chamam de navio e eu digo que é uma barca. Teoricamente demora 3 horas no trecho Belém-Camará, mas eu levei 4 horas nas duas vezes, e há duas empresas: a Banav e a Arapari. De Camará a Soure ou Salvaterra tem ônibus e vans. Eu fui e voltei com o Edgar Transporte Alternativo, que é um famoso transfer local que também vende a passagem de volta. As pessoas falam que esse trecho leva 40 minutos, mas isso é o tempo até Salvaterra (passagem R$8), pois para Soure (passagem R$10) ainda precisa atravessar o rio Paracauari de balsa que leva mais uma hora. Em Soure eles te deixam e buscam na pousada/casa. Para atravessar o rio “a pé” há barcos pesqueiros e dizem que leva 10 minutos.
E por fim a observação mais importante de todas sobre o Marajó — e que precisa tem em um post sobre esse assunto — é preciso levar dinheiro em espécie, mesmo quando dizem que aceitam cartão não conte com isso. A internet e telefonia lá é precária e a minha pousada aceita cartão, mas nos dois dias que estive lá eles estavam sem sinal e precisei pagar com dinheiro. Ouvi falar que os bancos — BB e o banco do estado — também tem problema de sinal.

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2 ideias sobre “Ilha do Marajó: Soure & volta a Belém

    1. N. Autor do post

      De inicio eu achei caro e não tão bem acabado com as de Belém, mas depois entendi o motivo, não tem como competir com o processo mecânico e tintas industrializadas.

      Resposta

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