Arquivo da categoria: Pará

Belém: Icoaraci & volta para casa

Fui ao distrito de Icoaraci, onde tem um polo ceramista e um porto rústico, onde saem os barcos para a Ilha de Cotijuba. Há uma série de restaurantes do outro lado da rua e no final da pequena beira rio há uma praça com uma pequena feira de artesanato em cerâmica. O lugar é bonitinho, mas dá para ver tudo rapidamente.

A orla com o porto de Icoaraci.

O restaurante mais chamativo da beira rio.

A feira de artesanato tinha muita coisa repetida nas lojas, mas é boa.

Depois pensei em almoçar na orla de Icoaraci, mas estava sem fome. Pensei em ir para Cotijuba, mas não tinha certeza se queria ir porque o maior programa da ilha é ir a praia e andar de charrete. Não era o que eu queria fazer, além disso o tempo começou a fechar e resolvi voltar para o albergue para começar a arrumar minha mala para a volta. No caminho pensei em almoçar pato no tucupi em um restaurante de comida típica próximo ao albergue chamado Tomaz, mas em retrospectiva todos meus arrependimentos nesta viagem tem relação com comida. Ou seja, achei melhor almoçar no shopping e seguir para o albergue. E assim eu fiz.

 

No dia seguinte tive a manhã para fechar tudo e ir para o aeroporto com tranquilidade, mas na real nunca fico calma  neste percurso. O voo foi tranquilo, apesar da criança de 4 anos no meu lado, e a família foi me buscar no aeroporto.

Assim terminou minha ótima viagem ao Pará.

 

Belém: Espaço São José Liberto & Bosque Rodrigues Alves

Como decidi ir ao Espaço São José Liberto resolvi passar antes no Ver-o-Peso para vê-lo funcionando completamente. É interessante. Hoje dei uma passeada de longe pela ala onde vende perfumes e garrafadas com aquelas curandeiras te chamando doidas para te pegar para tentar vender as quinquilharias delas, fiz cara de poucos amigos e passei batida. Depois tem uma ala que é uma feira livre normal, quer dizer tirando os animais vivos, que também é comum no Nordeste.  Entrei no prédio azul, que é o mercado de peixe — parece o Mercado São Brás de Campo Grande, porque aqui em Belém também tem um mercado homônimo –, mas por dentro ele foi modernizado para manter a higiene. Aliás tinha vários agentes de vigilância sanitária hoje no Ver-o-Peso. Em frente ao mercado de peixe tem o mercado de carne, que são vários açougues um ao lado do outro em um prédio centenário.

Mercado de carne do complexo Ver-o-Peso.
Segui viagem para o Espaço São José Liberto, que era uma prisão e agora é um centro ligado a pedras e a joalheria. Lá tem o Museu de Gemas, várias lojas de joias e souvenir de pedras, além de algumas de cerâmica e roupas. O espaço ainda tem duas partes dedicada a história do prédio: uma antiga cela que foi preservada, mas que eu não consegui ficar lá dentro para ler os painéis, e a antiga capela jesuíta de quando o prédio foi erguido.

A capela do Espaço São José Liberto

Depois fui ao Bosque Rodrigues Alves, também chamado de Jardim Botânico da Amazônia, que assim como o Museu Emilio Goeldi é um jardim inglês do final do século XIX. A diferença é que o Bosque é bem maior e foi criado em um área realmente florestal, apesar dos arredores hoje estarem urbanizados, então é um mata nativa. O problema é que os dois parques matem a lógica do século XIX, quando ter animais em cativeiros minúsculos era aceitável. Achava melhor acabarem com os cativeiros e criarem logo um zoológico sério.

Entrada do Bosque.

As famigeradas gaiolas dos animais.

O bosque me si.


Vista de cima da “ruína” que há no parque.


O chalé de ferro onde fica a administração.

Olha quem habita um coreto do parque!


11 anos após a reforma… O parque tem sérios problemas de manutenção.

Belém: Mangal das Garças, Feliz Lusitânia, Ver-o-Peso e Estação das Docas

Esse é o dia do passeio mais clássico de Belém.

Comecei o dia indo ao Mangal das Graças, um parque que fica na periferia do centro histórico da cidade. Ele foi construído para “representa um pedaço de toda a riqueza amazônica em plena cidade” (site oficial), mas não é bem isso que ocorre. Primeiro porque ele é pequeno e segundo porque ele está mais para um jardim do que um parque propriamente dito. Mas eu gostei dele porque já tinha visto fotos do local e sabia que não era uma síntese da floresta.

A entrada bem artificial.

Um dos recantos do Mangal.

Garça.

Vi esse pássaro horrível e não sabia o que era. Depois descobri que é o tuiuiu.


Quando o sol bate com força todo mundo se esconde, inclusive os patos e os grarás. Imagina eu, que esqueci de passar protetor solar.

Gostei de ir ao Mangal de manhã porque há algumas atividades legal. Às 10 horas, no Borboletário (que é pago), eles alimentação das piranhas que há em um lago artificial. É rápido e difícil de fotografar. Depois ocorre a soltura de novas borboletas. Eles explicaram que lá eles catam os ovos das borboletas e levam para outro lugar para manter as lagartas sob controle e esperar elas formarem o casulo. Quando se transformam em borboletas eles levam elas para o borboletário e soltam no jardim. Mas independente disso o lugar é lindo.



Dentro do borboletário.

Eles tiram as borboletas da caixa e colocam nas pessoas, depois elas voam livremente.



Se alimentando.


Tem também uma arraia lá dentro.

Depois eles alimentação dos bichos. Deixaram algumas frutas espalhadas pelo jardim e, às 11 horas, sai um cuidador para dar peixe as aves. É engraçado de ver.

A iguana comendo sua refeição.

As garças seguindo o cuidador…

… para em seguida brigarem pela comida…

… e ir para um canto saboreá-la “em paz” (sempre podem roubar seu pedaço).

Além da área livre e do borboletário eles tem um viveiro, mas me pareceu repetitivo com o que se tem fora, e um mirante, ambos pagos. Tem ainda um mirante para o rio e a Ilha Combu…

A palafita sobre o mangue, que vai para a beira do rio.

A vista.

… e um restaurante famoso, chamado Manja das Garças. Me preparei para pagar caro e comer lá porque me falaram que era um buffet chique com pratos típicos. Fui e digo, não é isso e não vale a pena. As opções de proteína pode até ter uma leve inspiração na culinária paraense, mas na verdade é um buffet fraco com dois tipos de carboidrato (arroz e purê), uma variedade normal de saladas igualmente normais e uma boa variação de proteína (carnes, peixes, frango e camarão). As sobremesas tem algumas opções, mas não é nenhuma maravilha e só pode pegar duas. Se não bastasse isso tudo, a comida ainda não é boa. Até o purê do Arnaldo (que cobra R$3,50 no quilo) é melhor que nesse restaurante metido. Foi uma decepção.

Uma curiosidade sobre o parque é que tem muitas pessoas que vão lá para tirar fotos. Na verdade já vi isso aqui em Belém mais de uma fez, pessoas com fotógrafos profissionais, mas no Mangal foi incrível como em pela quarta-feira eu vi um ensaio de casamento, um de gravidez e CINCO de aniversário de criança, principalmente de um ano. É meio estranho.

Depois fui para o chamado complexo Feliz Lusitânia, que é o nome original da cidade de Belém e foi nessa região — na Praça Frei Caetano Brandão — que a cidade surgiu a partir do Forte do Presépio. O forte é bem pequeno e tem uma exposição sobre as origens do Pará, começando com as culturas antes da chegada dos portugueses, depois a construção do forte, se abandono e sua utilização durante a Cabanagem. Da  muralha do forte tem uma vista para o rio e o Complexo Ver-o-Peso. Além do forte na praça ainda há a Casa das 11 Janelas — que é um pequeno espaço de arte contemporânea com um navio-museu nos fundo dela –, a Catedral Metropolitana da Sé e o Museu de Arte Sacra, que não visitei. A Ladeira do Castelo liga os dois complexos mais importantes da cidade Velha: o Feliz Lusitânia e o Ver-o-Peso.

A entrada do forte.


O fosso do forte e a lateral do Museu de Arte Sacra.

O jardim do forte com a Casa das 11 Janelas e o navio-museu.

A fachada da Casa das 11 Janelas.

A fachada da Catedral da Sé. É daqui que sai o Círio de Nazaré

O casario da Ladeira do Castelo, que liga a praça Caetano Brandão a feira do açaí.

O complexo Ver-o-Peso: a praça com os caminhos é onde ocorre a feira do açaí (durante a madrugada os barços chegam do interior com o carregamento de açaí e a praça serve de entreposto comercial), onde tem o prédio amarelo (na centro da foto) é a praça do relógio e o prédio azul na beira do rio é o mercado de peixes.

O mercado Ver-o-Peso.

Segui para o complexo Ver-o-Peso. O local da feira do açaí e a praça do relógio, onde ficam carros e barcos estacionados, é uma bagunça bem suja. Essa região é o Saara de Belém, mas é misturado com o mercado, que é uma grande feira. Não tem como ser diferente do que é. O mercado em si já estava parcialmente fechado porque já era tarde, mas deu para ver que é tipo um camelódromo da Uruguaiana, mas com produtos regionais, artesanato e uma parte igual a Uruguaiana. Detalhe tem uma parte com barracas de comida com higiene bem duvidosa.
Uma observação o nome do mercado é porque ele começou por causa de um posto de fiscalização e tributos colonial chamado Casa de Haver o Peso, onde se pesava os produtos transportados pelo rio para taxa-los.

Continuei reto e fui para a Estação da Docas. Antigamente quando terminava o mercado, que tem seu próprio porto, começava o porto de Belém. Há uns anos os três primeiros armazéns, que ficam ao lado do Ver-o-Peso, foram transformados em área de lazer com bares, restaurantes e lojas. Andar na beira o rio deve ser ótimo, mas não às 3 horas da tarde e sem protetor solar. Pelo que ouvi falar o lugar fica animado a noite. Uma das coisas boa da Estação da Docas é poder fotografar com segurança os prédios históricos ao redor dele.


Do lado de fora da Estação das Docas.

Do lado de dentro.


Prédios nos arredores do antigo porto.

Como ainda estava cedo, eu ainda fui no Ver-o-rio, que nada mais é que uma praça da região portuária que recebeu um projeto urbanístico incluindo quiosques para atrair pessoas para a região. O lugar virou point adolescente, pelo menos a tarde.



Ver-o-rio.

Depois dessa maratona eu voltei para casa exausta e mais vermelha que os guarás.

Ilha do Marajó: Soure & volta a Belém

Ontem a noite choveu forte e depois ficou chuviscando até hoje de manhã. Ou seja, não ia dar praia. E fui  isso é sério. Tinha pensado em dar uma volta no centro de Soure e depois ir até a praia mais perto da cidade — Barra Velha — para tirar umas fotos.
Após o café da manhã fui ao centro, que fica a umas onze quadras da pousada que estou. O dia estava quente, mas nublado e a umidade alta, por isso, eu suava bastante e a sensação térmica não estava das mais agradáveis. Conforme ia chegando o centro de Soure as ruas ficam “asfaltadas” — entre aspas porque o asfalto é todo quebrado, cheio de crateras — e há um bom comércio de cidade do interior com mercados, armazéns, hortifrute, farmácias, lojas de roupas, cursinho preparatório… Na praça onde chegam os barcos de passageiros vindos de Salvaterra — cidade vizinha e de onde partem os barcos para Belém — tem pontos de táxi e um Banco do Brasil. Vi várias escolas públicas e pelo menos duas quadras de esporte privadas. A recepcionista da pousada me falou que tem hospital simples em Soure e vários postos de saúde, mas se for preciso um helicóptero leva o doente a Belém. Até que para a simplicidade do lugar a cidade é bem estruturada.
Em cerca de 1h30 eu dei uma volta na parte central de Soure, inclusive fui a uma olaria marajoara super tradicional de descendentes de índios — a Mbarayo — que inclusive mostram como fazem o processo com torno manual, retiram o pigmento de pedras com a serra de um animal que não me recordo, fixam o pigmento com chifre e desenham com o chifre e ferrão de arraia. É bem legal, só não filmei porque não sabia se ia comprar algo lá. Também fui no SOMA, um galpão com quiosques de artesanato e souvenir. Há ainda um curdume na cidade, mas é fora do centro e eu não tenho tanto interesse.

Praça principal, onde chegam os barcos de Salvaterra.

O entorno da praça.

A orla do porto de onde parte a balsa.
Uma curiosidade é que vi várias casas com placa “Vendemos chopp”. Achei estranho isso, mas vai que o povo lá é pinguço. Na volta vi pessoas vendendo chopp com caixa de isopor e percebi que tinha algo errado. Até que alguém comprou e pude ver que para eles chopp é sacolé/geladinho/dindin…
A tarde voltei para Belém.

O início da viagem de volta a Belém.

O mar, digo, o rio na metade do caminho.

Quando Belém se aproxima aparecem várias ilhas que pertencem ao município de Belém, algumas são APAs.

A Ilha de Cotijuba é um distrito de Belém e destino de fim de semana da população.




Belém se aproximando ao anoitecer.
Sobre o barco de/para Belém, apesar de ter lido muito sobre isso tem coisa que só a prática te ensina. Há quatro formas de fazer essa viagem. A primeira é de balsa/ferry para quem está de carro. A viagem dura cerca de 3 horas e meia de/para Icoaraci, distrito de Belém, a Camará, distrito de Salvaterra e é feita pela empresa Henvil. A segundo éo barco rápido que fazia a travessia Belém-Soure-Salvaterra em 2 horas e meia e era feita pela empresa Viação Ouro e Prata até janeiro, agora está suspenso não sabemos se vai voltar. A terceira é o catamarã, que aqui chamam de lancha, que faz a travessia Belém-Camará em 1 hora e meia e é da empresa Banav. A quarta é o que nos blogs de viagem chamam de barco lento, aqui chamam de navio e eu digo que é uma barca. Teoricamente demora 3 horas no trecho Belém-Camará, mas eu levei 4 horas nas duas vezes, e há duas empresas: a Banav e a Arapari. De Camará a Soure ou Salvaterra tem ônibus e vans. Eu fui e voltei com o Edgar Transporte Alternativo, que é um famoso transfer local que também vende a passagem de volta. As pessoas falam que esse trecho leva 40 minutos, mas isso é o tempo até Salvaterra (passagem R$8), pois para Soure (passagem R$10) ainda precisa atravessar o rio Paracauari de balsa que leva mais uma hora. Em Soure eles te deixam e buscam na pousada/casa. Para atravessar o rio “a pé” há barcos pesqueiros e dizem que leva 10 minutos.
E por fim a observação mais importante de todas sobre o Marajó — e que precisa tem em um post sobre esse assunto — é preciso levar dinheiro em espécie, mesmo quando dizem que aceitam cartão não conte com isso. A internet e telefonia lá é precária e a minha pousada aceita cartão, mas nos dois dias que estive lá eles estavam sem sinal e precisei pagar com dinheiro. Ouvi falar que os bancos — BB e o banco do estado — também tem problema de sinal.

Ilha do Marajó: ida & Fazenda Bom Jesus

Essa história de acordar de madrugada está me quebrando. Quando voltar do Marajó quero ver se descanso de verdade algum dia.
O barco para o Marajó sai às 6h30 do porto de Belém (o meu saiu 15 minutos atrasado) e ele nada mais é que uma barca tipo os antigos modelo da Rio-Niterói. A viagem é lenta e demorada (deveria ter 3h, mas teve quase 4h), principalmente se você está sozinha e com sono. Várias pessoas deitam nos bancos e dormem, mas eu não me sinto segura para dormir estando com mala. Depois ainda tem um trecho de estrada e uma travessia de balsa até a cidade de Soure, a capital turística da ilha.
Ou seja, cerca de seis horas e vinte minutos depois de sair do albergue em Belém eu cheguei na pousada no  Marajó.
E olha que as informações que eu tinha era que a viagem levava quatro horas. Por tanto, cheguei em Soure cansada e estressada.

Pessoas dormindo na barca, que tem banco acolchoado.

Lá no horizonte dá para vê um resquício de margem do rio, do outro lado a margem estava próxima ao barco.

Logo fui almoçar andando por ruas de chão, cheias de mato, poças de água e animais, além de não ter visto carro, mas várias motos. O restaurante indicado pela pousada é simplíssimo, mas o atendiment0 foi bom. A garçonete se ofereceu para fazer meio prato, já que o padrão é servir duas pessoas. Tive esse mesmo problema no Combu, mas a solução lá foi eu levar o restante da comida para casa (e pagar pela embalagem). Pedi uma variação do filé marajoara, que vinha com presunto. Esse é um prato típico e nada mais é que filé de búfalo com queijo de búfala em cima. A carne estava divina, mas o queijo… tem um gosto forte e não sei se é bom ou ruim. Ele é diferente. Mas pelo menos consegui comer tudo.

Sim isso é uma rua com búfalos pastando.

Nunca tinha visto um urubus tão de perto.

O filé marajoara com presunto.

A tarde eu já tinha reservado o passeio na Fazenda Bom Jesus, que é uma fazenda de criação de búfalos, que tem vários outros animais, com cavalos marajoaras, capivaras, jacaré e aves em abundância. O passeio é uma caminhada pela fazenda para conhecer a fauna local e avistar animais. Depois voltamos a sede da fazenda de barco pelo açude e o passeio termina com um lanche, que tinha um bolo de tapioca delicioso, uma coalhada de búfala com doce de leite de búfala, um bolo com fruta da região, um pão com queijo de búfala e temperos, além de um suco de caja, mas não é o que nós conhecemos no Rio. O suco tava ótimo, mas tanto laticínio me enjoou e não comi nem a metade das coisas.
O passeio foi lindíssimo e esqueci toda a chateação da vinda ao Marajó.

O búfalo adestrado para quem quer montar e dar uma voltinha nele. E no nosso guia.

Os búfalos ficam soltos, como todos os outros animais.

O açude, que seca no verão amazônico.

Ave que esqueci o nome.

Cabrito do vizinho que entraram na fazenda.

Área que alaga conforme as marés, neste caso a maré estava baixa.

MAR-RE-COS
[Fazenda Bom Jesus [24.04.17] – 31]

Os cavalos marajoaras.

As capivaras andando para…

… entrar dentro da água.

Revoada dos guarás.

Garça azul pescando.


Guarás e garças.

Guarás.

Os guarás são originalmente brancos e pretos, mas de tanto comer caranguejo eles ficam rosa choque. Por isso tem uns todo rosa, outros malhados e outros preto.


Lavadeira.

Caminho entre os mangues. O guia e os meus três companheiros de tour.

Mangue.

Iguarapé (essa área com vitória regia) e o mangue no fundo.

Revoada de marrecos.

Jacaré dentro da água. Estava bem longe na verdade.

Búfalos se refrescando porque eles não suam.

Beija flor pousado.

Arara.

O guia explicou que ela não voa alto porque a asa está quebrada. Por isso ela fica parte do tempo solta e parte presa, para não virar comida de gavião, que nos vimos voando e se escondendo um pouco antes de chegar nessa casa onde está a arara.

Pavão.


Ganso.

Volta para sede de barco ao pôr do sol.

Carcará.

Revoada de garças.


Tênis e calça são essenciais neste passeio. Três das cinco pessoas estavam de chinelo, inclusive o guia.

Mesa onde serviram o lanche é de madeira do moedas de um cruzeiro incrustadas.

Uma observação. O passeio precisa ser agendado e no meu caso foi a pousada que fez isso para mim. Por isso acabei fazendo o passeio com o guia da fazenda e achei o passeio muito bom, ao contrario do que eu tinha lido não precisei pagar um guia particular para ser bom.
Há outros dois passeios em Soure. Um passeio por iguarapés, que acho que é parecido com o que fiz em Belém, mas passando por mangues. O outro é em uma fazenda também e me parece turistão, no estilo um resumo do Marajó em apenas duas horas, pois envolve andar no búfalo, passeio de barco, andar em uma praia e uma caminhada no mangue.

Notinha:

Só hoje fiquei sabendo da ameaça de greve nos aeroportos essa semana. Era só o que me faltava…

Belém: Praça da República, Theatro da Paz, Batista Campos, Museu Emilio Goeldi e Basílica de Nazaré

Saí por volta das 9h30 e fui andando até a Praça da República, que fica no fim da rua mais importante do centro da cidade — a Av. Pres. Vargas. Nela está o Theatro da Paz, o mais importante resquício do ciclo da borracha em Belém, inaugurado no final do século XIX. O belo prédio em estilo neoclássico está aberto a visitação.


Entrada principal.


Adorei essa barra anti queda em ouro.

Após a  visita guiado do teatro fui andar na praça, onde aos domingos há uma grande feira. Nela há de tudo um pouco: quinquilharias industrializadas, sebos, artesanato, feira de animais para adoção e claro comida (salgado, empadão e bebida). A praça estava lotada de pessoas. Eram jovem batendo papo, adultos passeando com cachorro e famílias brincando e fazer piquenique.

A praça vista do Theatro da Paz. Onde há sol as pessoas não ficam, mas nos arredores arborizados estava bombando.

A feira vista de um correto.

Parte com atrações para crianças, inclusive uma Minnie.

Olha aquele mato de casa sendo vendido a R$2,50.

Depois segui andando e fui para a praça Batista Campos, que fica no bairro homônimo. Este é um bairro elitizado, mas é curioso como há uma mescla de prédios claramente elitizados com outros com pouca manutenção. A praça em si é uma gracinha e também foi construída durante o ciclo da borracha. Logo quando cheguei vi uma garça voando e saquei a máquina tentando fotografá-la, o curioso é que depois uns adolescente me chamou achando que eu era fotógrafa profissional. 😛





Depois andei um bucado até o Museu e Parque Zoobotânico Paraense Emilio Goeldi. Um instituto de pesquisa, que inclui um pequeno museu que está com uma exposição sobre impacto ambiental (ela tem muito cartaz e poucas peças exposta, com isso a maioria das pessoas não lem nada e vê o museu em poucos minutos, mas eu demorei uma hora) e uma parque em estilo inglês*, incluindo um mini zoológico que em vários momentos me deu pena dos animais com pouquíssimo espaço, mas havia uma placa falando que há previsão de uma reforma para melhorar as condições de vida dos animais.


Jardim das vitórias-regias.

J-A-M-B-O.

Cativeiro das tartarugas.

A gaiola da onça.

A pitoresca “ruína” do castelo na verdade foi feita para esconder uma caixa de água.

A trilha vermelha é uma marca nas árvores ameaçadas de extinção. Está é o pau-rosa.

Depois passei no Parque da Residência, que nada mais é que um praça bonitinha perto do museu.

Parque da Residência.

E segui para a Basílica de Nazaré, onde termina o Círio de Nazaré. A ilha é simples para os padrões católicos, mas é interessante a grade da entrada cheia de fitinhas coloridas. O legal é que a igreja é gratuita, pode fotografar, ninguém te perturbar para dar doação e nem tentam te vender fitinhas a todo custo.


Detalhe das fitinhas no portão da igreja. Dá um colorido bonito.

Altar.

Terminei o dia voltando para o albergue, mas como tava calorzão, antes passei no shopping para experimentar o famoso e recomendadíssimo sorvete da Cairu. Tomei o de banana caramelada e é realmente muito bom.

Aquela uma bola que não é uma bola.
Uma observação é que quase não tem gente andando na rua aqui. Parece que todo mundo pega ônibus ou carro para tudo. Por isso não me senti conformável para fotografar nas ruas, que são razoavelmente estreitas e muito arborizadas, principalmente com mangueiras. Por onde passeio hoje tinha uns poucos prédios antigos bonitos e, em geral, muito mal preservados.

* Os jardins em estilo inglês tem caminhos sinuosos que imitam a organização natural da floresta, com se fossem trilhas, e tem recantos pitorescos como correto, chafariz e falsas ruínas.

Belém: Ilha do Papagaio e Ilha do Combu

Hoje foi o dia de me jogar no rio. Não literalmente, claro!

Madruguei, neste caso literalmente, pois meu passeio guiado bem turistão me buscou às 4h30 no albergue. O objetivo era ir a Ilha do Papagaio, um lugar onde os papagaios vão dormir porque lá não tem o predador natural deles — a jiboia. O barco chega antes do amanhecer e fica ancorado esperando o raiar do sol, quando os papagaios acordam e saem da ilha para se alimentar em outros lugares. O objetivo era justamente ver essa revoada. Uma curiosidade que o guia falou é que quando os portugueses chegaram em Belém eles acharam que era uma revoada de patos e por isso em mapas antigos a ilha era nomeada como Ilha dos Patos. Após a vinda de biólogos para Belém é que classificaram os papagaios como espécie.

A Ilha do Maracujá, que fica em frente a Ilha do Papagaio, onde o sol nasce.

A Ilha do Papagaio após o nascer do sol.

Os papagaio pousados na ilha.

Tentei tirar fotos da revoada, mas com pouca luz e os bichos em movimento é quase impossível.

Depois o barco segue pelos furos do Maracujá e Benedito — furos são os canais naturais entre as ilhas — até contornar a Ilha Combu e voltamos a Belém. Neste caminho passamos por região de várzea (áreas alagáveis da floresta) com muitas palafitas de diversos estilos, plantações de açaí, ônibus-barcos e restaurantes a beira do rio Guamá, na parte próximo a Belém.
Apesar de associada a miséria, a região de palafitas tem luz elétrica, transporte público, escola, biblioteca… Me lembrou o Delta do Tigre, só que mais pobres. Ali não tem saúde, por exemplo.

Entrada do Furo do Maracujá.

Palafita em meio a plantação de açaí

Furo do Maracujá.
Furo do Benedito com Belém ao fundo.

Ônibus-barco no Furo do Benedito.

Para eles os furos são pequenos porque os rios tem essa proporção.

Voltei para o albergue, tomei café da manhã e tentei descansar um pouco, mas sou péssima para dormir sem ser a noite. Chegando a hora do almoço sai para comprar a passagem para a Ilha do Marajó e depois  fui para o bairro do Condor pegar um popó — como chamam os barcos de transporte dos moradores — e fui com o barulho do motor e cheiro de diesel até o Restaurante Chalé da Ilha, um dos vários restaurantes beira-rio do Combu, que é um distrito de Belém. O mais famoso dele é o Saldosa Maloca, mas já li que ele é bem turístico e no albergue me recomendaram este outro.
Para chegar ao restaurante é preciso além de navegar pelo rio Guamá, entrar em um furo conhecido como Rua Furo, onde além dos restaurantes há o Filha do Combu, uma palafita-loja que vende chocolate feito com o cacau plantado na própria ilha. O barco parou lá rapidamente e eu achei tudo muito caro. Não tinha nada a menos de R$10. Outra atração da Rua Furo são as obras do artista Sebá Tapajós. Um famoso grafiteiro da região, que pintou algumas palafinas nesse furo, mas a maioria deles está parcialmente escondido pela vegetação.

Posto de combustível naval em Belém.

A Rua Furo, onde fica o Chalé da Ilha.

O trabalho do Sebá Tapajós.

O Chalé da Ilha me lembrou o Sítio Alegre, ou seja, local onde as pessoas vão com a família para se passar o dia em contato com a natureza. A demora para a comida chegar também me lembrou o Sítio Alegre.


Chalé da Ilha.

Observação:
A marina de madrugada me lembrou a série Dexter, que tinha umas marinas esquisitas. A de hoje era bem escura e da rua só se vê um muro e um portão. Quando voltei descobri porque da escuridão, ela é coberta para proteger os barcos.

Ida para Belém

O dia começou cedo — às 6h — e terminou cedo…

Meus pais foram me levar no aeroporto e por um motivo qualquer meu pai me deixou no terminal 1, mas ele está desativado e tive que andar até o terminal 2. Acabou sendo tudo bem corrido no Galeão. Cheguei, entrei, fui ao banheiro e embarquei.
Uma coisa que notei foi que ano passado, quando estava esperando o voo para Bariloche, respondi uma pesquisa de opinião sobre a reforma do Galeão e tive que pensar nos itens para avaliar. No fim estava tudo bom. Hoje dos 5 banheiros apenas 2 funcionavam e no setor de voos domésticos tem menos cadeiras e não tem as inúmeras tomadas que na área de voo internacional. Apenas a quantidade de painéis com informações sobre os voos continuam muito boa.
O voo em si foi ok. Apesar do sono e do cansaço. Viajei com um pessoal que, pelo que entendi, é do apoio do Jorge Aragão, fará um show me Belém. Lembrei que já viajei com a equipe do Vasco.
Durante o voo vi umas plantações loucas.
As plantações quadriculadas normais.

As plantações circulares… como fazem isso? São os ETs do Shyamalan? Um gráfico gigante?

Depois de um tempo, as plantações e tudo mais foram cobertos por nuvens. Só voltei a ter paisagem quando estávamos quase pousando e o avião passou a voar abaixo das nuvens. Ai eu pude ver a Amazônia do alto: a florestas, os rios, as casas ribeirinhas… foi muito bom, fiquei super feliz.


Amazônia com seus rios e ilhas.

Casas na floresta.

A chegada como um todo foi boa – peguei um taxista que arredondou o valor uns R$3 para baixo -, mas é meio chocante descobrir que o comércio fecha no feriado, inclusive os mercados não abriram hoje. Os rapazes da recepção me indicaram um restaurante de culinária local bonitinho, mas como já estava com princípio de enxaqueca pela noite mal dormida e a falta de comida resolvi comer algo “normal” no shopping próximo. Percebi que as pessoas comem comida de verdade aqui porque os fast food estavam vazio e as lojas também estavam vazias quando cheguei e cheias quando sai. O povo aqui almoça direitinho. Aliás, da praça de alimentação se tem a vista do bairro vazio em um feriado.


O resto do dia foi lutando contra o sono e o cansaço. Acabei indo para cama cedo porque amanhã o dia começa mais cedo ainda.

Enquanto escrevia o texto e me preparava para voltar ao shopping para o lanche da noite, caiu a famosa chuva diária do norte. 🙂
Observação:
Fui ler o que tinha escrito sobre o Galeão ano passado e lendo o texto, vi esse trecho: “fique pensando que a Patagônia deve ser a Amazônia deles [dos argentinos]. Aquele lugar que todo mundo fala, mas poucas vão. Até porque é caro“. Curioso eu ler isso agora aqui na Amazônia.